
Não há aqui nenhuma novidade. Toda a gente sabe que se fecha a água, que se desliga o gás, que se despeja o lixo antes de sair. E, ainda assim, é sempre na véspera da partida — com as malas por fechar e o carro por carregar — que alguma coisa fica por fazer.
É por isso que esta lista continua a fazer sentido todos os anos. Não por ser difícil, mas precisamente por ser fácil de mais para se dar por ela.
Água: aquela que já sabemos, mas fica sempre para o fim
Toda a gente conhece a válvula de corte geral. A questão é que ela costuma estar num sítio pouco prático — atrás de uma porta de armário, debaixo do lava-loiça — e é sempre a última coisa da lista.
Vale a pena não a deixar para trás:
- feche a válvula de corte geral de água da casa;
- feche as torneiras de alimentação da máquina de lavar roupa e da máquina de lavar loiça;
- confirme que não fica loiça ou roupa dentro das máquinas.
Se a casa tiver rega automática ou sistema de tratamento de água, convém saber como se comportam com o corte geral fechado. É o género de detalhe que só nos ocorre no aeroporto.
Gás e aquecimento
Feche a válvula de corte do gás e desligue o esquentador ou a caldeira. Muitos modelos têm um modo de ausência prolongada — e este é o momento em que finalmente se descobre para que serve aquele botão.
Em instalações com bomba de calor ou termoacumulador elétrico, basta desligar o disjuntor correspondente no quadro.
Eletricidade: o que desligar, o que deixar
Todos já ouvimos que os equipamentos consomem em vazio. Aqui há também a vantagem prática de os proteger de oscilações na rede: televisores, routers, computadores, carregadores, micro-ondas.
O que normalmente fica ligado:
- o frigorífico e o congelador, se ficarem com alimentos;
- videoporteiro, alarme ou domótica, se existirem.
Se preferir desligar o frigorífico, esvazie-o, limpe-o e deixe a porta entreaberta. Fechado e sem energia, já sabemos no que dá.
Ventilação e humidade
Uma casa fechada durante semanas de verão acumula calor e humidade. Nada de novo — mas há três gestos que quase sempre nos escapam:
- deixar as portas interiores abertas e os armários e roupeiros entreabertos, para o ar circular;
- não deixar roupa húmida, toalhas ou lixo orgânico;
- fechar parcialmente estores e cortinas nas fachadas mais expostas. A luz direta durante semanas altera pavimentos de madeira, estofos e cortinados — devagar, e por isso mesmo sem se dar por ela.
O seguro: aquele que temos e nunca lemos
Todos temos uma apólice de multirriscos. Quase ninguém a lê antes de precisar. E é justamente antes de partir que dá jeito confirmar três coisas:
- que coberturas existem para danos por água, incêndio e fenómenos elétricos, e quais as franquias aplicáveis;
- se a apólice prevê condições específicas para períodos de ausência prolongada — algumas preveem, e os termos variam bastante entre seguradoras;
- qual o prazo e o canal para participar um sinistro, e que contactos convém levar consigo.
Uma chamada ao mediador resolve as três de uma vez. Demora menos do que arrumar a mala.
Condomínio e acessos
Já todos sabemos que o verão é a época das obras nas partes comuns — coberturas, prumadas, fachadas. Se estiverem trabalhos previstos, convém saber quando, porque podem implicar entrada em casa ou cortes de água.
E duas coisas que se dizem sempre e raramente se fazem:
- confirmar que a administração tem os contactos atualizados;
- deixar chave e contacto com alguém de confiança que possa passar pela casa de tempos a tempos. Uma visita ocasional deteta cedo uma infiltração vinda de cima — daquelas que, de outro modo, só se descobre semanas depois.
Se a casa ficar arrendada ou em alojamento local
Quando a casa não fica vazia, a preparação é outra. E é aqui que se percebe se as coisas estavam realmente combinadas ou apenas subentendidas:
- quem o inquilino ou o hóspede deve contactar em caso de avaria;
- que intervenções pode autorizar de imediato e quais aguardam a sua decisão;
- onde estão as válvulas de corte de água e gás e o quadro elétrico.
Em alojamento local, a gestão corrente costuma estar delegada — mas convém confirmar os limites dessa delegação antes de ficar sem disponibilidade para responder.
No regresso
A parte que toda a gente esquece, porque a esta altura já só apetece pousar as malas:
- abra a válvula geral de água lentamente e verifique ligações, sifões e zonas por baixo dos lava-loiças;
- deixe correr a água durante alguns minutos antes de a consumir;
- abra o gás e volte a ligar o esquentador ou a caldeira, confirmando o funcionamento normal;
- areje a casa antes de voltar a fechar tudo.
Porque isto é importante
Nada disto é novidade para ninguém. É esse, precisamente, o problema: são gestos tão evidentes que deixamos de os verificar, e as semanas de ausência são justamente aquelas em que ninguém está lá para reparar que algo ficou por fazer.
Uma casa mantém-se em bom estado por atenção repetida, não por grandes intervenções. Meia hora antes de partir continua a ser o melhor tempo que se pode dedicar à casa em todo o ano. E vale a pena guardar a lista — repete-se sempre, e ganha-se com o hábito.