Habitação 1º Trimestre 2026: Menos Transações, Preços em Alta

Mercado residencial português em abrandamento: 37.750 transações (-9,4%) mas preços sobem 4,6% em cadeia e 21,1% homólogo. Análise Confidencial Imobiliário.

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De acordo com a Confidencial Imobiliário, o mercado residencial em Portugal Continental registou um abrandamento da atividade no 1º trimestre de 2026, com 37.750 habitações transacionadas — uma redução de 9,4% face ao trimestre anterior, em que se contabilizaram aproximadamente 41.600 transações. Apesar da diminuição do número de operações, os preços continuaram em trajetória ascendente, com um crescimento de 4,6% em cadeia e de 21,1% em termos homólogos.

Os dados resultam do SIR — Sistema de Informação Residencial e do Índice de Preços Residenciais, e confirmam a tendência de menor dinamismo que se tem observado desde a segunda metade de 2025.


Mercado abranda, mas mantém-se alinhado com a média histórica

Volume de transações em queda no início de 2026

Segundo a análise da Confidencial Imobiliário, este comportamento regista-se num momento em que emergem novos fatores com impacto no mercado residencial, nomeadamente a instabilidade internacional e as expectativas de subida das taxas de juro, que tendem a condicionar a procura e o investimento em habitação. A fonte refere igualmente os potenciais efeitos das tempestades ocorridas no período.

Em linha com a média histórica desde 2019

Embora a redução de atividade seja evidente face a 2025, o volume de transações mantém-se alinhado com a média observada desde 2019, que se posiciona em pouco mais de 37.000 fogos vendidos por trimestre.
 
O pico de atividade do mercado ocorreu no último trimestre de 2021, quando se registaram 44.140 transações de habitação. Em 2025, o mercado transacionou uma média de 41.000 fogos por trimestre.

«Evolução das vendas de habitação — Portugal Continental


Preços continuam em trajetória ascendente

Crescimento homólogo de 21,1%

No 1º trimestre de 2026, os valores de venda registaram um crescimento de 4,6% em cadeia — em linha com o trimestre anterior — e de 21,1% em termos homólogos.
 
Apesar de este último valor representar uma ligeira desaceleração face ao máximo histórico de 23,4% observado no final de 2025, confirma a persistência de uma forte pressão sobre os preços.

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Preço médio de venda em Portugal Continental (1º T 2026)

Segmento Preço médio (€/m²)
Portugal Continental (total) 3.262
Habitação nova 4.374
Habitação usada 2.959

Fonte: Confidencial Imobiliário — Índice de Preços Residenciais.


Oferta nova continua aquém dos níveis históricos

Conclusões e licenciamento em 2025

A Confidencial Imobiliário sublinha que a evolução dos preços num contexto de menor atividade reflete sobretudo a escassez estrutural de oferta, particularmente nos segmentos intermédios do mercado. Em 2025 foram concluídas cerca de 26.700 habitações, assinalando quase uma década consecutiva de crescimento da construção, mas correspondendo ainda a apenas cerca de um terço do volume registado em 2005.

Ao nível do licenciamento, em 2025 foram licenciados 41.830 fogos, o que representa pouco mais de metade do valor registado há 20 anos.

Pedidos vs licenças efetivamente emitidas

A concretização do investimento continua condicionada. No mesmo ano, deram entrada pedidos para o licenciamento de 71.980 novos fogos, sendo que apenas 64% dessa carteira se materializou em licenças efetivamente emitidas.


Fontes: Confidencial Imobiliário — SIR Sistema de Informação Residencial e Índice de Preços Residenciais (release de abril de 2026). Dados de licenciamento e conclusão de obras: INE — Instituto Nacional de Estatística. Dados de fogos projetados: Pipeline Imobiliário, com base nos pré-certificados energéticos emitidos pela ADENE.

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Manuel Rebelo de Andrade