
Preços da habitação no 1.º trimestre de 2026: o que dizem os dados do INE
O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou, a 23 de junho de 2026, o Índice de Preços da Habitação relativo ao 1.º trimestre de 2026. Este artigo resume os números essenciais desse relatório, de forma simples e com gráficos. Todos os valores aqui apresentados são os publicados pelo INE nesse documento.
Antes de começar, dois conceitos que aparecem ao longo do texto:
- Variação homóloga — compara um trimestre com o mesmo trimestre do ano anterior (neste caso, o 1.º trimestre de 2026 com o 1.º trimestre de 2025).
- Variação em cadeia — compara um trimestre com o trimestre imediatamente anterior (o 1.º trimestre de 2026 com o 4.º trimestre de 2025).
Em resumo
No 1.º trimestre de 2026:
- Os preços subiram 17,8% face ao mesmo trimestre de 2025.
- Foram transacionadas 37 745 habitações, menos 8,7% do que um ano antes.
- O valor total das casas vendidas foi de 9,9 mil milhões de euros, mais 3,2% em termos homólogos.
1. Preços: subiram 17,8%, a um ritmo mais lento
No 1.º trimestre de 2026, o Índice de Preços da Habitação aumentou 17,8% face ao mesmo período de 2025. Este valor é 1,1 pontos percentuais inferior ao do trimestre anterior — segundo o INE, a primeira desaceleração de preços desde o 2.º trimestre de 2024.
A subida foi maior nas habitações existentes (19,7%) do que nas habitações novas (12,6%).

Comparando apenas com o trimestre anterior (4.º trimestre de 2025), os preços subiram 3,8% no total, 4,2% nas existentes e 2,7% nas novas.

Nota: "existentes" são as casas que já tinham sido usadas para habitação antes da venda; "novas" são as que nunca tinham sido habitadas no momento da transação.
2. Transações: menos casas vendidas
Entre janeiro e março de 2026 venderam-se 37 745 habitações, menos 8,7% do que no mesmo período de 2025. Face ao trimestre anterior, a redução foi de 12,4%.
O gráfico seguinte mostra o número de habitações vendidas nos últimos seis trimestres.

Por tipo de habitação, no 1.º trimestre de 2026:
- Existentes: 30 356 casas (80,4% do total), uma variação homóloga de −8,0%.
- Novas: 7 389 casas, uma variação homóloga de −11,6%.

3. Valor das transações: 9,9 mil milhões de euros
Apesar de se terem vendido menos casas, o valor total transacionado foi de 9,9 mil milhões de euros, mais 3,2% do que no 1.º trimestre de 2025. Face ao trimestre anterior, o valor desceu 7,9%.

A descida do valor face ao trimestre anterior, por tipo
A redução de 7,9% no valor transacionado face ao 4.º trimestre de 2025 verificou-se nos dois tipos de habitação. Foi mais acentuada nas habitações novas (−11,2%) do que nas existentes (−6,8%). No trimestre anterior, este indicador tinha aumentado 2,6%.

Por tipo de habitação:
- Existentes: 7,5 mil milhões de euros (variação homóloga de +6,9%).
- Novas: 2,4 mil milhões de euros (variação homóloga de −6,8%).

4. Quem compra: famílias e compradores estrangeiros
No 1.º trimestre de 2026, as famílias compraram 32 828 habitações, ou seja, 87,0% do total, num valor de 8,6 mil milhões de euros (86,4% do total).
Quanto ao domicílio fiscal do comprador:
- Em Portugal (Território Nacional): 35 975 habitações, 95,3% do total, uma variação homóloga de −8,4%.
- Fora de Portugal: 1 770 habitações, uma variação homóloga de −15,6%.
Entre os compradores com domicílio fiscal no estrangeiro, a categoria União Europeia registou a maior redução (−16,8%), seguida da categoria Restantes Países (−14,4%).

5. Por região: todas com menos transações
Segundo o INE, no 1.º trimestre de 2026 todas as regiões registaram uma redução no número de transações face ao mesmo período do ano anterior. As reduções mais expressivas foram na Região Autónoma da Madeira (−25,6%), na Região Autónoma dos Açores (−11,4%) e no Algarve (−10,7%).

Em sentido contrário, o valor das transações continuou a crescer em algumas regiões. Os maiores aumentos do valor, acima da média nacional, foram observados na Península de Setúbal, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo e Norte, com variações entre 4,6% e 16,6%.
Nota sobre os dados
- Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE), Índice de Preços da Habitação — 1.º trimestre de 2026, publicado a 23 de junho de 2026.
- A partir desta divulgação, o índice passa a ter como ano de base 2025 = 100 (anteriormente 2015 = 100). Trata-se apenas de uma alteração da base de referência, sem alterações de metodologia.
- O índice mede a evolução dos preços das habitações adquiridas por famílias, com base em informação fiscal anonimizada (IMT e IMI).
- Os valores são arredondados a uma casa decimal, pelo que a soma das parcelas pode não coincidir exatamente com o total nacional.
- Próxima divulgação do INE: 22 de setembro de 2026.
